terça-feira, 30 de agosto de 2011

Donzela e Mãe

Sedna, Hera, Hécate, Ixchel, Nanã... todas tem vindo para me ensinar a ser mãe*. Algumas dão conselhos claros e objetivos, outras só seguram minha mão quando eu choro. Nem todas são delicadas, mas todas tem o peito cheio de amor de mãe para me ensinar como é ter esse amor dentro de mim.

Sedna me chama para mergulhar no fundo mais fundo de mim mesma, reencontrar o que já fui para poder descartar grande parte e renascer junto com minha cria.

Hera me ensina os segredos e as dores da maternidade, e eu tento aprender. Nanã veio anunciar o meu filhote. Ixchel e Hécate me preparam para quando a hora de nascermos chegar.

E eu vou tentando aprender tudo, me preparar. Mais do que tudo, tento estar inteira e completa nessa nova fase e aproveitar a experiência.

*Mais sobre essa nova fase (ou deveria dizer vida?) em Depois de Benjamin.







terça-feira, 17 de maio de 2011

A arte de perguntar

Um dia encontrei um amigo* que me viu perdida, ele não era delicado, nem muito gentil. Era irônico e não permitia que eu me tornasse vítima de mim mesma.
Ele me deu uma lição de casa que, a príncipio, menosprezei. Era tão simplória, tão sem graça, que chatice! Mas por alguma razão eu decidi atendê-lo e percebi, que mesmo sendo simples, era muito enriquecedora. Como eu não pensei nisso antes?
A lição simples e útil é perguntar. Mas não basta perguntar a torto e a direito, mas formular as perguntas realmente. Pensar em cada uma delas com paciência e sem pressa.
Eu sempre achei que questionar fizesse parte de mim (e faz), sempre estive em busca de respostas, dos porquês, mas minha concentração sempre estava nas respostas. Até tinha noção das perguntas, mas o que me preocupava mesmo eram as respostas. As perguntas eram apenas sombras, como as respostas podiam ser mais que isso?
Quando me debrucei sobre as perguntas, escrevendo cada uma delas, primeiro sem pensar muito, só escrevendo o que passava a cabeça. Depois, reformulando e deixando-as mais objetivas as respostas começaram a surgir mais facilmente. E, mesmo para as que estão sem resposta, eu tenho uma visão mais clara sobre o problema, porque, bom, agora eu reconheço o problema.
Foi então que lembrei de todas as aulas e pseudo-aulas de oráculos: "A formulação da pergunta é uma das etapas importantes do processo oracular".
Tão simples, tão útil.

*Não necessariamente no plano físico. rs

quarta-feira, 30 de março de 2011

Selo Iluminador

Uma surpresa enorme ao receber esse selo por esse blog que está tão novinho, quase engatinhando. Ainda mais que veio da Alexandra, do Sofá de Álex, o que não só é um choque como uma honra tremenda para mim. Já que foi o primeiro blog que me fez ter contato com o Helenismo, a porta de entrada para esse mundo, que me fez chegar aos outros blogs que vou indicar daqui a pouco. Com certeza, o blog da Alexandra é um dos que mais ilumina meu dia, tem me ajudado a enxergar melhor as divindades gregas e ver que é preciso sair dos clichês que estamos acostumados, de parar de vê-los rasamente e ir até o fundo para conhecer cada um de forma completa. Enfim, aberto horizontes em diversos sentidos.

A regra é simples:
-Cite 5 coisas que iluminam o seu dia.
-Presenteie com o selo 3 blogs (ou mais) que te iluminam citando-os em sua blogagem.
Divirtam-se e iluminem-se!



Minha respostas:
1.família, namorado e os gatos lá de casa (que me fazem sorrir só de andar ao meu lado). São nessas pessoas (e felinos) que consigo encontrar um pouco dos deuses a cada dia. Ah, e a cria se formando.

2.natureza, em todas as manifestações não catastróficas. Na brisa, na água, nas tempestades.

3.livros e leituras no geral (blogs etc), que durante a faculdade acabei deixando meio de lado, mas já estão voltando a fazer parte da minha vida.

4.as "coincidências" do dia a dia, por mais simples que sejam. Como o ônibus passando menos de 1min depois de eu chegar no ponto; passar um documentário na tv sobre algo que eu queria muito saber, enfim coisas bobas, mas que me fazem sentir ainda mais as divindades ao meu redor, olhando por mim. Sendo favoráveis.

5.Filmes e música. Diferente dos livros, são poucos os que mexem comigo e que me fazem sentir realmente. Mas quando isso acontece, é mágico.A melodia ou as imagens se transformam em sentimentos.

Indicados:
Acredito que eles até já devam ter recebido o selo, mas não tem como não pensar neles e, fica minha indicação para reforçar a luz que eles emanam. Do Jota, do Thiago e da Sarah que encontrei pela Alexandra e têm me ajudado no processo de enxergar melhor tanto os deuses como minhas possibilidades de relação com eles. O Crianças Pagãs, porque já faz um tempo que tem me ajudado a pensar em como criar meus filhotes e agora vai se tornar leitura obrigatória (no bom sentido). E o do Nion, porque eu ainda tenho um pézinho na bruxaria e por me ajudar a ver que a Wicca, quando vista de modo tradicional e gardneriano, não é a bagunça que parece (rs).

1. Aktaios, do Jota: http://aktaios.blogspot.com/
2. Ta-Hiera, do Thiago: http://ta-hiera.blogspot.com/
3. Depois da Dança, da Sarah: http://depoisdadanca.blogspot.com/
4. Crianças Pagãs, de vários autores: http://criancapaga.blogspot.com/
5. À Sombra do Freixo, do Nion: http://sombradofreixo.blogspot.com/

sexta-feira, 18 de março de 2011

Em busca de conhecer a mim mesma

Pelo que já percebi, há duas características que passo inicialmente as pessoas que acabam de me conhecer, pelo menos pessoalmente. Seriedade e racionalismo.
Talvez essas são sejam as principais, mas são essas que me incomodam. E um amigo me fez perceber que, se me incomodam, é porque não seja realmente "eu". Que essa deve ser a casca que criei para mim, escondendo minha essência.
Tento me lembrar de alguma época em que eu não fosse extremamente racional e analítica. De algum tempo em que eu conseguisse sentir antes de racionalizar sobre aquilo. Bom, minha memória nunca foi muito boa.
Quando criança me lembro de não ter tido amigos imaginários pois, antes de poder criá-los, já sabia para que serviam com base na psicologia e construção da identidade. Tive crises existenciais como todo adolescente, mas o foco era diferente, porque o "padrão" eu já entendia. Nessa época, o problema nunca foi o excesso de sentimento, mas a falta dele. Sentia um vazio enorme onde devia haver uma revolta com o mundo e com a família. O ninguém-me-entende nunca teve lugar, pois eu sabia que era eu que não me fazia entender, era eu que não me entendia, como podia exigir isso de alguém?
Questionar, procurar, entender sempre estiveram em mim. Acho que foi meu pai que me incutiu isso nunca respondendo diretamente minhas perguntas, eu precisava procurar pelas respostas.
Com meus sentimentos e intuições não foi diferente, antes de me permitir senti-los por completo, eu preciso entendê-los, análisa-los, procurar a razão. E o pior, colocar em palavras o que são eles. Essa pode ter sido a razão de nunca me entender: demorei a perceber que as palavras só servem como indicação dos sentimentos, eles não cabem aqui nessas letras.
Mas, por muito tempo, escrever era o único jeito de sentir. Era tecendo linhas que meu coração parecia estar vivo. E mesmo as palavras, que tanto amo e tanto me ajudaram, parecem que precisam ficar um pouco de lado. Estou em busca dos sentimentos puros, sem interferência da razão, sem explicações ou rótulos. Sentir o coração pulsando, seja de dor, de amor ou de alegria. Sentir com a mesma intensidade com que penso.

E o que tudo isso tem a ver com meu caminho religioso? Tudo, porque conhecer a mim mesma faz parte do meu 'religare', encontrar minha essência (o que é tarefa para vida toda) é estar mais próxima dos deuses.
Tenho comigo a teoria que se estamos em um pólo, para conseguir o equílibrio é preciso ir até o outro pólo. Por isso, talvez passe um período no pólo sentimental, para só então, ajustar meu níveis de razão e coração e encontrar quem sou eu entre eles.
É esse "ir a outro pólo" que eu sinto me afastar de Atena, a deusa que amei, mesmo que como mito, desde a infância. A deusa que representava minhas paixões: a estratégia de guerra, as batalhas, o racional, a ligação com o paterno, com o masculino. Paixões que eu não sei se fazem parte da minha essência ou do que construi por fora. E essa minha visão da deusa, pretendo mudar nesse processo de ir para um pólo a outro. Encontrar uma Atena mais completa, que não consigo ver, pelas minhas limitações racionais.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Meus Deuses: Hecate e Hermes

Inspirada pelo post Deuses Patronos do Jota Olliveira no Aktaios, decidi falar um pouco nos meus e em como cheguei a eles.

Hecate e Hermes são os deuses que honro, que adoro, que cultuo. Não sei exatamente se os chamo de deuses patronos, de pais. O fato é que são eles que fazem meu coração vibrar, que me fazem sentir amada, escolhida. E é de como os encontrei que vou falar hoje.

Não lembro bem como encontrei Hecate, mas quando comecei a ler sobre ela, sobre seus domínios, suas características, tive certeza que era minha mãe (ou seja lá o termo que prefiram usar). Era ela a Donzela da Morte que me fazia escrever sobre sangue e morte. Era quem me fazia entender a importância do fim para o florescimento da vida. E ela é também a Dama da Vida, que traz os pequenos para esse mundo, protetora deles e de suas mães.
Ela, a donzela deturpada em anciã, e que eu insisto em chamar de mãe.
Quando comecei a ler sobre ela, sobre a experiência de outras pessoas com ela, via uma velha terrível e assustadora, vingativa e cheia de ódio. Mas quando eu me voltava e tentava encontrá-la, não era assim que ela se mostrava para mim. Justa, imparcial, sábia e conhecedora dos mistérios do mundo, era isso que eu via. Um colo quente e confortável, um caldeirão fervilhando de vida e morte. E alguém que nunca iria me poupar das consequências dos meus atos, que vez ou outra daria uma chacoalhada nas coisas para que eu pudesse crescer e aprender.

Hermes foi mais sútil. Só depois que percebi que ele já tinha entrado na minha vida é que descobri a ligação entre ele e Hécate, as muitas semelhanças e até o possível relacionamento dos dois.
Lembro de pedir uma confirmação há alguns anos, estava na sala, lendo sobre ele no computador, a TV estava ligada e passava um filme legendado que não estava vendo. Quando olhei para tv um personagem do filme deu um papel para outro e a camera deu close no papel, estava escrito Hermes. Foquei os olhos na tela assustada, tentando descobrir se não tinha sido coisa da minha cabeça. Bom, até hoje não sei, talvez o nome de Hermes fizesse sentido no contexto do filme.
A partir desse dia eu sabia que deveria honrá-lo, ele foi incluído nas minhas orações noturnas, mas mesmo assim muito tempo passou até que eu me voltasse realmente para ele. Acho que uma ligação mais forte foi iniciada ano passado, e agora eu não consigo não sorrir ao pensar nele e em seu rosto zombateiro. E quanto mais leio sobre ele, em seus mitos, sua história ou na de outros deuses, mas encontro semelhanças comigo. Mas me apaixono...

Ao mesmo tempo que me aproximo mais deles, vou sentindo necessidade de conhecer sobre seus companheiros olímpicos.